Blog Clara Nunes

18 abril 2018

Ivone Lara: o início em disco por influência de Clara


             
                                                      Dona Ivone Lara e Clara Nunes 

Transcrevemos aqui comentários valiosos sobre a importância que Clara Nunes exerceu na carreira inicial de Ivone Lara, que faleceu esta semana aos 97 anos. Conhecida como a “Grande Dama do Samba”, ela nasceu em família de amantes da música popular e enfrentou o preconceito por ser mulher e sambista. Seu maior sucesso é “Sonho meu”, música que estourou nas paradas de sucesso com Maria Bethânia e Gal Costa.

Vagner Fernandes
(escritor, jornalista)


Informação de extrema relevância que poucos detêm: Dona Ivone Lara foi “apresentada” ao mercado fonográfico brasileiro, extremamente hostil ao universo do samba na década de 1970, por Clara Nunes. Ao gravar a lindíssima “Alvorecer”, parceria de Dona Ivone e Délcio Carvalho, a mineira trouxe luz à obra da imperiana. “Alvorecer” deu nome ao álbum que Clara lançara em 1974, explodindo devido ao sucesso impulsionado por “Conto de areia”. Foram mais de 400 mil cópias comercializadas, consolidando a artista definitivamente como umas das mulheres que mais vendiam disco no Brasil.

Toninho Nascimento Nascimento
(cantor, compositor) 
Depois que o Romildo mostrou Conto de areia pra Clara Nunes no programa do Adelzon Alves, entregamos a fita K-7, conforme Clara tinha orientado, e ficamos na expectativa. Todos sabiam que Alvorecer, de Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho, já estava selecionada pro novo disco da Mineira.
Como era hábito nas madrugas de sexta-feira, eu e Romildo rumamos pro programa do Adelzon, mas antes de entrarmos no auditório passamos no boteco que tem ao lado da Rádio Globo. Encontramos Dona Ivone, que ao nos ver disse :
- Meninos, vocês estão no disco da Clara.
Já se foram Clara, Romildo, Délcio Carvalho e Dona Ivone...
Que Deus os guarde eternamente



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Alvorecer
Ivone Lara / Delcio Carvalho)

Olha como a flor se ascende
Quando o dia amanhece
Minha mágoa se esconde
A esperança aparece
O que me restou da noite

O cansaço, a incerteza
Lá se vão na beleza
Desse lindo alvorecer
Lá se vão na beleza
Desse lindo alvorecer
E esse mar em revolta que canta na areia
Qual a tristeza que trago em minh'alma campeia
Quero solução sim, pois quero cantar
Desfrutar dessa alegria
Que só me faz despertar do meu penar
E esse canto bonito que vem da alvorada
Não é meu grito aflito pela madrugada
Tudo tão suave
Liberdade em cor
O refúgio da alma vencida pelo desamor



02 abril 2018

35 anos sem a mineira!






Um Ser de Luz

“Um dia
Um ser de luz nasceu
Numa cidade do interior
E o menino Deus lhe abençoou
De manto branco ao se batizar
Se transformou num sabiá
Dona dos versos de um trovador
E a rainha do seu lugar
Sua voz então a se espalhar
Corria chão
Cruzava o mar
Levada pelo ar
Onde chegava espantava a dor
Com a força do seu cantar
Mas aconteceu um dia
Foi que o menino Deus chamou
E ela se foi pra cantar
Para além do luar
Onde moram as estrelas
E a gente fica a lembrar
Vendo o céu clarear
Na esperança de vê-la, sabiá
Sabiá
Que falta faz sua alegria
Sem você, meu canto agora é só
Melancolia
Canta meu sabiá,
Voa meu sabiá,
Adeus meu sabiá…
Até um dia…”


“Um Ser de Luz” (Sabiá), composta em homenagem à esposa Clara Nunes em parceria com João Nogueira e Mauro Duarte é a grande homenagem após sua partida em 02/04/1983. Paulo César Pinheiro  conta que achou um absurdo quando os parceiros vieram a ele com a idéia de um “samba de adeus” para Clara Nunes. Já tinham prontas, inclusive, esboços de letra e o início da melodia. Entretanto, João  Nogueira o convenceu com um argumento muito hábil: que se ele (Paulo) fizesse o samba, ninguém mais se atreveria a escrever outro. Além disso, se ele não fizesse iriam aparecer canções oportunistas e de baixa qualidade.
Foi exatamente o que ocorreu. Depois da parceria, jamais outro compositor se atreveu a escrever um samba em homenagem à Clara Nunes. “Um Ser de Luz” – que tem este título como referência a uma crônica de Artur da Távola escrita durante o período de agonia da cantora no hospital – se tornou a definitiva canção de adeus, como previra João Nogueira.
A música foi o “esquenta” da Portela para o carnaval seguinte !

Clara Nunes: de Minas para o mundo!

capa-Clara Nunes
Considerada uma das maiores intérpretes do país, Clara Francisca Gonçalves Pinheiro, nasceu em 12 de agosto de 1942, na cidade de Cedro, hoje Caetanópolis.
Ela perdeu o pai aos dois anos e a mãe aos seis. Aos 14, ingressou na fábrica de tecidos Cedro&Cachoeira, onde seu pai fora empregado. Mudou-se para Belo Horizonte para trabalhar como artesã, participava do Coral Renascença, quando conheceu o violonista Jadir Ambrósio – autor do hino do Cruzeiro – que, admirado com a sua voz, levou-a a vários programas de rádio.
Clara venceu a etapa mineira do concurso “A Voz de Ouro ABC” (promovido pela fábrica de rádios e televisões ABC – American Broadcasting Company) com a música Serenata do Adeus, composta por Vinicius de Moraes e gravada anteriormente pela sua principal influenciadora, Elizeth Cardoso.
A partir daí, foi trabalhar na Rádio Inconfidência e durante três anos seguidos foi considerada a melhor cantora de Minas Gerais; paralelamente era crooner de clubes e boates na capital mineira, onde foi companheira de Milton Nascimento – na época conhecido como o baixista Bituca.
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Em 1963, ganhou um programa exclusivo na TV Itacolomi, que trazia artistas de renome nacional. Tempos depois, mudou-se para o Rio de Janeiro apresentando-se em vários programas de TV. Foi contratada pela Odeon que lançou o LP A Voz Adorável de Clara Nunes, mas não obteve sucesso comercial – a gravadora a obrigou a cantar só boleros. Em 1968, fez um álbum onde estrearia no samba com Você Passa e Eu Acho Graça (de Ataulfo Alves e Carlos Imperial), que a levaria a ficar conhecida nacionalmente.
Depois veio A Beleza que Canta (1969), e Clara fez uma viagem a Angola, onde estudou folclore, música e danças que influenciaram a nossa cultura. Ela acreditava que sua força estava nas raízes populares e seu foco se direcionou para esse objetivo. Na sequência saíram os LPs Clara Nunes (1971), Clara Clarice Clara (1972) e Clara Nunes (1973). Nessa fase, suas canções eram calcadas em temas da umbanda e do candomblé e ela adotou sua indumentária característica, sempre de branco e com colares e missangas.
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Estreou com Vinicius de Moraes e Toquinho o show O Poeta, a Moça e o Violão no Teatro Castro Alves, em Salvador. Foi convidada pela Radiotelevisão Portuguesa para fazer uma temporada em Lisboa. Percorreu outros países da Europa, quando gravou um especial com a Orquestra Sinfônica de Estocolmo, na Suécia.
Em 1974, a Odeon lançou o LP Alvorecer que emplacou os sucessos o Conto de Areia e Meu Sapato Já Furou. O disco bateu recorde de vendas, com 400 mil cópias; isso rompeu com o tabu de que mulher não vendia discos e estimulou outras gravadoras a investir em sambistas femininas como Alcione e Beth Carvalho. Ela ainda atuou ao lado de Paulo Gracindo, em Brasileiro Profissão Esperança (de Paulo Pontes), uma encenação sobre a vida da cantora e compositora Dolores Duran e do compositor e jornalista Antônio Maria e o show gerou um disco homônimo.
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Clara casou-se com o poeta, compositor e produtor Paulo César Pinheiro, de quem gravou várias canções. Fez Claridade, que traz os sucessos O Mar Serenou e Juízo Final – álbum considerado um dos mais importantes de sua carreira. Em 1976, gravou Canto das Três Raças, além da faixa-título o disco conta com Lama e Retrato Falado. No ano seguinte, ela produziu o álbum As Forças da Natureza. Em 1977, inaugurou no Rio de Janeiro o Teatro Clara Nunes, de sua propriedade, fato até então inédito para uma cantora brasileira.
Em 1978, foram lançados Guerreira, no qual Clara interpretou vários ritmos brasileiros; e Esperança, com destaque para a faixa Feira de Mangaio. Participou, ao lado de Chico Buarque, Maria Bethânia e outros artistas do show do Riocentro, que marcaria a história política brasileira devido a um ato terrorista praticado por militares radicais, com a explosão de uma bomba que deixaria como vítimas os próprios autores.
Clara se submeteu a uma histerectomia, após sofrer três abortos espontâneos, por causa dos miomas que possuía no útero. A impossibilidade de ser mãe causou-lhe muito sofrimento, compensado apenas pela entrega absoluta à carreira artística.
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Ela tem em seu acervo mais de dezoito discos de ouro. Seu LP mais vendido foi Brasil Mestiço de 1980, que ultrapassou a marca de um milhão de cópias e foi premiada com o celebrado Troféu Roquette Pinto. Em 1981, saiu o LP Clara, com destaque para a música Portela na Avenida; e também estreou o show Clara Mestiça (dirigido por Bibi Ferreira). No ano seguinte, veio Nação, seu último álbum de estúdio.
Em março de 1983, Clara Nunes se submeteu a uma cirurgia de varizes, mas acabou tendo uma reação alérgica. Em dois de abril do mesmo ano, o Brasil perdeu uma de suas maiores cantoras, vitimada por um choque anafilático.
Com o enredo Contos de Areia, a Portela faz uma homenagem a Clara, em 1984, sendo campeã, juntamente com a Estação Primeira de Mangueira. Sua obra foi editada em CD em 1997 e reeditada em 2004.
Em 2007, foi publicada a biografia Clara Nunes – Guerreira da Utopia (Ediouro), escrita pelo jornalista Vagner Fernandes, e no final de 2017 foi lançado o documentário Clara Estrela, dirigido por Susanna Lira e Rodrigo Alzuguir, que conta a história da artista através de seus próprios depoimentos.


https://prefacio.com.br/vinil/clara-nunes-de-minas-para-o-mundo

05 fevereiro 2018

Estréia hoje no Canal Curta "Clara Estrela"


Produção sobre Clara Nunes estreia na TV



'Clara Estrela' é exibido nesta segunda-feira, no canal Curta!

Aclamado em festivais de cinema nacionais e internacionais, o documentário "Clara Estrela", de Susanna Lira e Rodrigo Alzuguir estreia nesta segunda-feira, às 22h20, no Curta!
O filme narra, em primeira pessoa, a trajetória da cantora Clara Nunes, que não só conquistou o Brasil, como vários outros países do mundo. Embalado por imagens oníricas e sem entrevistas, o documentário é construído por depoimentos da artista na mídia impressa, na voz da atriz Dira Paes. A narrativa é realçada pelo ineditismo do arquivo de imagens e uma minuciosa seleção de músicas. "Clara Estrela" traz para o espectador a chance de relembrar sucessos como "A Deusa dos Orixás" e "O Mar Serenou", além da trajetória da artista e a possibilidade de conhecer um pouco mais de uma personagem que, mesmo passados mais de trinta anos de sua morte, permanece em lugar de destaque na história da música popular brasileira. 


Curta!Segunda-feira (5), às 22h20
Horários alternativos:
Terça-feira (6), às 2h20 e às 16h20;
Quarta-feira (7), às 10h20;
Sábado (10), às 22h30.
http://www.destakjornal.com.br/diversao---arte/tv/detalhe/producao-sobre-clara-nunes-estreia-na-tv

Clara Estrela - entrevista



SUSANNA LIRA

Cineasta fala sobre 'Clara Estrela' 

O documentário “Clara Estrela”, que estreia neste domingo no Curta!, possui 1 hora e 12 minutos de duração e contou com a parceria de Rodrigo Alzuguir




Susanna Lira


Susanna Lira é codiretora do filme sobre Clara Nunes, em parceria com Rodrigo Alzuguir




30 janeiro 2018

Canal Curta estréia "Clara Estrela" documentário premiado

Documentário sobre Clara Nunes estreia com exclusividade no Curta!


Clara Estrela
Clara

O filme narra, apenas em primeira pessoa, através de entrevistas em diversos programas de TV e rádio, a trajetória da cantora que conquistou o Brasil e vários países do mundo. (Foto:Divulgação)
SÃO PAULO – Aclamado em festivais de cinema nacionais e internacionais, o documentário “Clara Estrela” estreia com exclusividade no Curta!, na Segunda da Música, 5, às 22h20. No longa-metragem, a cantora Clara Nunes narra a própria trajetória, em primeira pessoa, através de entrevistas que concedeu a diversos programas de TV e rádio. Além do minucioso trabalho de pesquisa audiovisual, o filme oferecerá ao público a oportunidade de ouvir, ainda, os depoimentos da artista publicados em veículos impressos, através da narração da atriz Dira Paes.  Entre os sucessos da cantora, falecida em 1983, estão “O mar serenou”, “Feira de Mangaio”, “Conto de Areia” e “Morena de Angola”.  Com direção de Susanna Lira e Rodrigo Alzuguir, o filme foi produzido pela Modo Operante Produções, com financiamento do Fundo Setorial do Audiovisual (PRODAV 01/2013).

SEGUNDA DA MÚSICA

Clara Estrela (Documentário)

Clara Estrela é um documentário sobre Clara Nunes, cantora que sintetiza com elegância o caldeirão cultural brasileiro, mestiço, agregador e sincrético. O filme narra, apenas em primeira pessoa, através de entrevistas em diversos programas de TV e rádio, a trajetória da cantora que conquistou o Brasil e vários países do mundo. Além do minucioso trabalho de pesquisa audiovisual, o documentário traz ao público a oportunidade de ouvir as entrevistas de mídia impressa através da narração da atriz Dira Paes. Os depoimentos são entrecortados por imagens oníricas que traduzem o universo místico de Clara, suas raízes e alegria de viver tão marcantes em suas canções. O filme traz para o espectador a chance de relembrar os sucessos e a trajetória da artista e a possibilidade de conhecer um pouco mais de uma personagem que, mesmo passados mais de trinta anos de sua morte, permanece em lugar de destaque na história da música popular brasileira.

Clara Estrela | 71 min

Clara Estrela

Gênero: Documentário 
Diretor: Susanna Lira e Rodrigo Alzuguir 
Duração: 71 min     Ano: 2017     País: Brasil     UF: RJ 

Sinopse: Clara Estrela é um documentário sobre Clara Nunes, cantora que sintetiza com elegância o caldeirão cultural brasileiro, mestiço, agregador e sincrétic...   Ver mais

Classificacao Indicativa: Livre 
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18 janeiro 2018

Clara Estrela no Canal Curta em fevereiro

Clar

Documentário exclusivo do Curta! 

sobre a cantora Clara Nunes 

Divulgação

Considerada uma das principais intérpretes do país, Clara Nunes terá sua vida e obra contadas no documentário “Clara Estrela”, que poderá ser conferido pelo público a partir de outubro, em alguns dos principais festivais de cinema do Brasil. Financiado pelo Fundo Setorial do Audiovisual (PRODAV 01/2013) e dirigido por Susanna Lira e Rodrigo Alzuguir, o longa-metragem foi produzido com exclusividade para o Curta! pela Modo Operante Produções e teve estreia mundial no Festival Mimo de Cinema, no dia 6 de outubro, em Paratya Estrela | 71 mi

Clara Estrela | 71 min

Sobre o Curta!
Dedicado às artes, cultura e humanidades, o Curta! é um canal independente que acolhe a experimentação e se orgulha de ser um parceiro dos realizadores, artistas, criadores e produtores independentes. Com o compromisso de transmitir 12 horas por dia de programação nacional independente, os principais segmentos temáticos da programação são música, dança, teatro, artes visuais, meta-cinema, filosofia, literatura, história-política e sociedade.
O Curta! pode ser visto nos canais 56 e 556 da NET, 56 na Claro TV, 76 na Oi TV e  como canal opcional à la carte na Vivo e GVT nos canais 664 (fibra), 132 (DTH – antiga GVT) e 552 (DTH – Vivo).Gênero: Documentário 
Diretor: Susanna Lira e Rodrigo Alzuguir 
Duração: 71 min     Ano: 2017     País: Brasil     UF: RJ 

Sinopse: Clara Estrela é um documentário sobre Clara Nunes, cantora que sintetiza com elegância o caldeirão cultural brasileiro, mestiço, agregador e sincrético. O filme narra, apenas em primeira pessoa, através de entrevistas em diversos programas de TV e rádio, a trajetória da cantora que conquistou o Brasil e vários países do mundo. Além do minucioso trabalho de pesquisa audiovisual, o documentário traz ao público a oportunidade de ouvir as entrevistas de mídia impressa através da narração da atriz Dira Paes. Os depoimentos são entrecortados por imagens oníricas que traduzem o universo místico de Clara, suas raízes e alegria de viver tão marcantes em suas canções. O filme traz para o espectador a chance de relembrar os sucessos e a trajetória da artista e a possibilidade de conhecer um pouco mais de uma personagem que, mesmo passados mais de trinta anos de sua morte, permanece em lugar de destaque na história da música popular brasileira.  
Classificacao Indicativa: Livre 
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04 novembro 2017

O memorial Clara Nunes no Programa Terra de Minas


PROGRAMA TERRA DE MINAS 
GLOBO MG
04 novembro 2017
14 hs 


                                            http://redeglobo.globo.com/globominas/terrademinas/

02 novembro 2017

O filme "Clara Estrela"


“CLARA ESTRELA” DOCUMENTA CLARA NUNES EM PRIMEIRA PESSOA.





Por Celso Sabadin.
Será exibido nesta sexta-feira (03/11) no Festival de Conservatória, Rio de Janeiro, o mais que bem-vindo documentário “Clara Estrela”, que retrata uma das maiores cantoras populares da nossa música: Clara Nunes.
O filme começou a ser pensado em 1998, a partir da constatação que de não havia na cinematografia brasileira uma obra audiovisual sobre uma intérprete tão importante. Assim, os irmãos Renata e Rodrigo Alzuguir mergulharam na pesquisa e radiografaram os aspectos pessoais e profissionais da artista mineira. A família de Clara, bem como o compositor Paulo César Pinheiro, seu viúvo, abraçaram o projeto e disponibilizaram seus acervos.
“Clara Estrela” faz a feliz opção de basear toda a sua linha narrativa inteiramente na figura da biografada. Isto é, seja através de sua própria imagem captada na época em entrevistas de rádio e TV, seja através de depoimentos na mídia impressa (neste caso, reproduzidos na voz de Dira Paes), a única pessoa que fala no filme é a própria Clara Nunes. O resultado é uma obra sincera, verdadeira e emotiva, que desta forma se distancia  da tradicional fórmula dos depoimentos prestados por terceiros, nem sempre muito atraente.
Muito apropriada ainda a opção do filme de não entrar nem supervalorizar as questões polêmicas que evolveram a morte prematura da cantora, preferindo focar no que realmente interessa, ou seja, sua obra, sua arte, e na maneira através da qual Clara Nunes venceu barreiras e preconceitos profissionais.
É o chamado documentário que realmente documenta, direto, objetivo, emocional e necessário.
A direção é de Susanna Lira e Rodrigo Alzuguir. Susanna tem em seu currículo os filmes Legítima Defesa (2017), Intolerância.doc (2016), Mataram Nossos Filhos (2016),  Levante! (2015); Damas do Samba (2015), Porque Temos Esperança (2014), Uma visita para Elizabeth Teixeira (2011), Positivas (2010), Contracena (2009) e Câmera, Close! (2005). Escritor, música e pesquisador, Rodrigo faz aqui sua estreia na direção de cinema.
 http://www.planetatela.com.br/critica/clara-estrela-documenta-clara-nunes-em-primeira-pessoa/